Sobre viagens e órgãos internos que viram externos

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eu viajo todos os dias. E nessas viagens eu tento ficar sozinha, até porque eu durmo de babar, carrego um milhão de bolsas e o passageiro da frente sempre deita no meu colo. Só se não tiver nenhum conhecido. Porque aí eu viro a "miss simpatia", tiro as bolsas todas da cadeira do lado, não me importo de ficar espremida, de não dormir,  nada disso.

Em alguns horários ser antissocial (é assim que escreve???) é permitido e meio que regra todo mundo quer roncar ficar sozinho. Mas em outros é impossível. Daí que ontem foi um dia da impossibilidade e eu que resisti bravamente à solidão, vi um cidadão se aproximar do meu banco vazio.NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOO!

A torcida mental não resolveu e o moço se dirigiu pro meu lado. Quando ele se vira pra sentar ao meu lado, vejo que ele tem uma bolsa daquelas que substituem o aparelho excretor (a pessoa faz xixi e coco na bolsinha). Eu em pânico.

Nossa! Que fresca, nojenta, preconceituosa! É só uma alternativa pra problemas sérios de saúde. Eu sei disso, mas tente imaginar uma situação em que alguém, qualquer pessoa, pudesse por qualquer motivo, viver com um de seus órgãos fora do corpo. Imaginou?Sentiu? Agora piore 3 X. Imagine esse mesmo órgão pindurado na cintura de alguém absolutamente desconhecido!

É... porque de pessoas intimas, que a gente ama, tudo fica mais fácil e nem pensamos muito nisso. Pois bem, a pessoa tem uma bexiga fake. Deu pra perceber que eu não sou chata dicunforça demais? Entao eis que o moço em questão senta do meu lado. Eu em pânico duplo! Ele senta, eu de olho na “bolsinha”, se ajeita na poltrona, ajeita a bolsinha..... na minha perna! O que fazer? Não tinha outro lugar, também não dava pra virar pro sujeito e pedir: - Moço, será que dava pra tirar sua bexiga fake-sintética-de prááástico, porque minha perna está constrangida? Não dava, Né? Se tem uma coisa que eu acho íntima, mas íntima mesmo é a questão de necessidades fisiológicas (nem tão bonito, quanto a expressão). Pra mim essa bolsinha excretora é o ápice da perda de dignidade. Sério, se alguém precisar disso pra sempre (depois descobri não ser o caso do meu companheiro de viagem) é preferível a morte. Me desculpem a “ignorância”, mas penso assim. Dignidade começa pela discrição de suas necessidades.

Bem, mas o meu companheiro de cadeirinha não era tão radical e começou a conversar naturalmente comigo:

- Eu fiquei sete meses e tantos dias internados e acabei de sair do hospital
Eu simpática:

- Mas o senhor está bem pra viajar de ônibus...

O moço MAIS, MUITO MAIS simpático:

- Esta tudo bem, ó! (levanta a camisa e mostra os tubos, borrachas e bexiga sintética que estava até então, parcialmente coberta pela camisa)

EU COMPLETAMENTE EM PÂNICO!!

Tambem descobri posteriormente, que acabar pra ele, não significa a mesma coisa que pra mim. Tipo: Hospital-rodoviária-banco do ônibus ao meu lado. Era mais assim: Hospital-rodoviária-banco do ônibus ao lado de outra pessoa-casa do sujeito-casa do ex sogro-rodoviária-assaltos-hospital pra assinar papéis- rodoviária-banco do ônibus ao meu lado. Daí eu decidi conversar com o cidadão tentando ignorar o órgão na minha perna (Nâo aquele! Outro, menos inspirador....) E eu olhava pro lado da bexiga fake(imaginei que era bexiga porque SÓ vi uma espuminha), me espremia na parede do ônibus e tentava manter cara de paisagem.

Conversa vai, conversa vem (imaginem se o dito cujo, não perguntou meu estado civil?????) eu virei pra janela e tentei desv iar a mente da bexiga sintética. Mas pra minha felicidade, Deus me deu uma mente obssessiva pra pensar tudo o que não prec Isa, na hora mais inconveniente e na obssessão mais inconveniente. Claro, que era pra ele rir horrores de mim. Então eu virei pro lado pra pensar no livro que eu precisava de ler, na chuva que caia e que eu adoro (desde quando???), na sombrinha que deixei no trabalho e na bexiga ENCHENDO!!!!

Fala sério! Eu precisava de pensar nisso?! Na situação que me encontrava? Claro que sim! Porque eu consegui esquecer que estava chovendo, e que eu precisava descer sem sombrinha no supermercado, que o material de limpeza da minha casa tinha acabado e só conseguia pensar: será que na viagem a bexiga sintética encheu?

E como sou obssessiva pra cacete, e não sossego enquanto não resolver as questões inúteis, toda hora olhava mas estava escuro, não dava pra ver. Aí desfarçadamente liguei o celular pra dar uma iluminada básica, nada! Até que já com úlcera de ansiedade, provocada pela indecisão entre entrar no supermercado com chuva, ficar mais um tempo imaginando a bexiga do sujeito, enxergar a tampinha da bexiga aberta, resolvi descer.

Tive de acordar o cidadão e eis que ao acender das luzes....... A famigerada “bexiga” estava parcialmente cheia! Graças a Deus (que ele tenha se molhado de tanto rir) tomei a decisão de deixar a bexiguinha confortavelmente no banco lateral.

Uffa!!! Que os recém –operados sejam mais cuidadosos com seus intestinos e bexigas. As coxas alheias podem não ser tão controladas....

PS. Por razões óbvias não ha imagens ...

4 comentários:

Catarina Paulino disse...

Ei fofuxa! Então aki no Centro voce encontra fácil os esmaltes 3D...tem uma lojinha na rua São Paulo pertinho da galeria do ouvidor que tem todas as cores lá. Eu não sei o nome da loja, mas ela é de bijoterias, quase do lado da galeria.

Bjuuuus

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

ahahaha eu ri. sei que foi algo de pânico mas eu ri do jeito q vc contou.
claro que assusta. e eu já trabalhei em hospital, te digo que é bom mesmo vc ter certo receio da bolsinha. por questão de higiene mesmo, nem sempre os pacientes fazem a higiene correta desse tipo de material (desculpe te falar isso, acho que fui mal mas melhor avisar né)

e não é nada adequado ele ficar zanzando por ai mesmo, há o perigo de um dos caninhos se soltarem por causa da movimentação inadequada.

bom dia

Ro Malet disse...

Oi xuxu, deve ter sido uma situação bem constrangedora, mas lendo assim da forma que vc contou soa engraçado.
Bom, deve ter sido algo traumatizante, pra mim seria, ter que passar pelo o que o tio da hisrtoria passou, acho que não iria querer sair de casa, mas a vida continua...
Beijos

Ro Malet disse...

Ai amooor, acho que sou meio doida também então...
Hushushushsua
Abandonei o o curso de design né, lembra que estava indecisa?
Bom, me matriculei no pré vestibular pra tentar UFRGS, queria tanto fazer matemática, sempre amei demais e quando se trata de numeros, meu racícinio é super lógico sabe, mas ainda estou em dúvida entre matemática (profi de doido, hsushushsushua) e contabilidade (tbm acho meio doido e super puxado).
Mas concordo, matemática e física são coisas de maluquetes mesmo. Sabe, todos disseram o mesmo, tipo: putz! tem que gostar muito para fazer né? hsdushsuhsushsuhsua

Beijios xuxu obrigada pelo carinho.