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CENA ESTRANHA

quarta-feira, 23 de setembro de 2015



             Após o almoço eu estava fumando e circulando pelo "quintal" do trabalho, quando me vi  cercada por calangos. Como são os bichos mais apavorantes da face da terra (incluindo aí todos os parentes: lagartos, lagartixas, iguanas, dragões de komodo...) eu fui obrigada a pegar o caminho rente à garagem pra jogar o cigarro na caixinha de areia.

            Ao aproximar da caixinha cinzeiro tive a surpresa de encontrar uma das funcionarias da conservadora deitada no chão do estacionamento com o braço dentro da caixa de areia!

          Ok.ok.ok. Entendo que um cochilinho pós almoço é revigorante e salutar e se não tem um colchão ou pelo menos um sofazinho, a alternativa é espichar no chão. Mas se jogar dentro de uma lixeira não é um pouco demais?
             

TO FELIZINHA

sexta-feira, 4 de setembro de 2015



Voltei!

Bem... Na verdade eu nunca desisti. Tipo não volto mais, vou fechar, encerrar! Até pq fechar é sacanagem com o universo (vai que alguém acha meus textos óteeeemos!)
O fato é que ando lendo um blog antiquíssimo no mundo dos blogs (14 anos é um recorde!) e claro com muito post bizarro, dos quais ainda não consegui passar de janeiro de 2003. É divertido pensar que no comecinho a autora era uma jovem de 30 anos e hoje uma jovem mulher de 44 anos! E já to começando a divagar horrores pq eu só queria dizer que me identifiquei com ela e daí calhou de estar felizinha, então resolvi contar minhas besteiras provavelmente pra mim mesma!

No início da semana postei no facebook que estava me sentindo muito triste. Uma amiga me ligou na hora pra saber quem tinha me feito alguma coisa (amigas são assim, se você ta triste vamos lá dar porrada no culpado!), ontem a noite postei que meu celular ta moribundo mas faz feliz e hoje to felizinha! Valéria, você bebeu? Não. Sou bipolar e posso (ou melhor devo, pq se não meu psiquiatra vai ser obrigado a trocar meus remédios again).

Há tempos tenho uma dificuldade enorme de sair da cama. Muito sono e pouca vontade de encarar uma rotina entediante e um ambiente hostil (Sim. No trabalho, mais de uma vez fui questionada por estar calada ou emburrada mesmo). Não sei dizer se o sono é fruto da pouca vontade de encarar a “onça”, se é cansaço, efeito dos remédios ou do meu bode mesmo. 

Esta manhã foi diferente.... continuei com preguiça de levantar, mas acordei com o despertador às 5h30 da madrugada e queria ficar abraçada ao meu filhote, ao travesseiro, rindo sozinha e contando mentalmente minhas aventuras da noite anterior.... Claro que pra alguém deprimida, mal humorada e entediada como eu, ficar felizinha só pode ter relação com alguma aventura e aventura que deixa a gente com cara de retardada é aventura que tem bofe... Feministas não me queimem numa fogueira de sutiãs, mas eu sou assim! Sorry....Sorry porcaria nenhuma! Eu sou assim, tô bem assim e não é errado ser assim!

Não acredito em amor. Nananina não! Amor é muito nobre pro coração egoísta do ser humano. Acredito em paixão, que pra mim é o que mais se assemelha ao amor, mas é fantasia, é uma ilusão. Gente apaixonada cria um personagem perfeito e acredita nele. Mas tá eu não acredito em Papai Noel, e o bom velhinho sempre me fez feliz!

Tem coisas que não tem preço e ser feliz, ou pelo menos se sentir feliz é a mais impagável de todas

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Um dia eu te amei. Pelo menos parecia que sim
Eu era um pouco mais do que menina. Talvez mais menina do que você. Jovem, ingênua e por que não? Inocente....
Eu senti o coração disparar e parar. De ansiedade, de uma alegria tola e de decepção.
Os meses se passaram, seu rosto virou lembrança. Minhas loucuras... Melhor esquecê-las! Tão tola... Ai! Que vergonha!
E o tempo passou, nossos caminhos que se aproximaram seguiram o rumo original. Cada um cuidando do seu destino. Como tinha de ser!
Mas tinha de ser assim? Por 22 anos eu pensei que sim. E na verdade acredito nisso!
Só não sei porque você voltou! Não voltar ao nosso País ou à sua cidade natal! Não faz diferença a geografia.
Não entendo porque do nada você me veio à mente. Por que procurei exaustivamente por informações? Por que te ver tão lindo como eu me lembrava causou uma tempestade de emoções? Por que depois de 22 anos eu passei a sonhar com você?
Por que invadiu meus pensamentos como se nunca houvesse o intervalo de uma vida entre nós!
No meu mundo ingenuo cabia esse desejo. A obsessão, as tentativas de te encontrar, de saber de você.
Hoje não tenho forças nem tempo pra fantasias. Não creio nelas e nem suporto mais chorar por um sonho impossível
Convenhamos que o que era aceitável para uma jovem de menos de 20 anos, hoje é loucura! Carência! Sei lá...
Mas tá aqui ó! Me tirando o sono, a concentração, o juízo! Quero de novo ouvir sua voz, quero promover encontros "ao acaso", quero suspirar por você, não quero ficar muda, gaguejar e sentir o rosto em chamas. Isso espero que o tempo tenha me roubado rsrs
Mas por que você? Porque me empenhei tanto em saber como você estava? Porque é boy magia? Ah! Outros estão bem e não me fizeram esse frisson. Por que você continua inatingível? Outros também estão....
Será que sou eu? Será que meu coração quer tanto viver que precisa de um sonho, de um desafio pra se mostrar vivo? Será que eu amadureci externamente mas meus pensamentos continuam de adolescente?
Contos de fadas cabiam aos 19, mas aos 40 é demência precoce

AGORA É OFICIAL.....

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

.....meu filho é um adolescente!

Ele é adolescente de direito faz tempo pois tem 14 anos, mas com tamanho de 10, cabeça de 8 e PELE de 6! Enfim, todo mundo que vê jura que é criança

Mas vamos à novela:

Uma noite de um dia da semana, estávamos à mesa comendo e eis que eu com minha miopia e astigmatismo enxergo um suposto cravo no nariz do mocinho.

- Paulo, o que é isso no seu nariz? Já agarrando a cabeça do sujeito pra arrancar o que quer que fosse. Enquanto eu espremia (e ele urrava, se debatia e dava mil pitis) torcia para ser sujeira, machucado, até um nariz novo crescendo, mas era um cravo.

Pensei assim: é só um cravo, deve ser a alimentação que anda mais gordurosa.... No dia seguinte o nariz estava lisinho sem nem uma marquinha.

5h30 DA MANHÃ. UMA SEMANA DEPOIS.......

- Benzinho, ta na hora de acordar.... e no escuto total, toco em seu rosto.

-  Ai, mãe!

- Que é isso no seu rosto?

- Não sei. Só sei que tá doendo.

- Você machucou onde?
- Sei lá!

Esqueci da história devido ao escuro, ao sono e aos minutos que vão correndo.

Me arrumei, dei comida pros bichos, engoli qualquer coisa (ou não), entreguei uma caixinha de suco pro PV e saímos atrasados.

Numa esquina paro pra despedir com um beijo. Ele vai pra escola a um quarteirão e eu sigo pra rodoviária.

- AAAAAAAAHHHHHHHH!

- Que foi, mãe?

- Você está com uma espinha na bochecha!

Hoje vaguei por lojas de produtos de beleza procurando  sabonete antibactericida para prevenção de acne.... É querer evitar o inevitável.

Na verdade eu nunca tive medo de que ele crescesse. Até agora....  Mas não tem jeito, mãe é tudo igual, só muda o endereço.  A vantagem é que também é uma só, porque duas, ELE não AGUENTAVA!



















































PRESIDENTA, O CACETE!

segunda-feira, 20 de junho de 2011


Eu não sou boazinha e minha cara de pamonha tranquila é pura fachada. No fundo sou um vulcão, bem nervosinha, um “Saraiva”de saias.

E algumas bobagens me irritam tanto que me sinto como os cachorros de Pavlov. Toda vez que toca um sininho eu salivo, de raiva! Um dos sininhos que andam me fazendo espumar é essa bobagem da PRESIDENTE Dilma, se intitular presidenta!

Ha algumas controvérsias sobre o uso desse feminino. Alguns autores reconhecem a flexão, outros  afirmam  que existe uma forma comum, tanto para o gênero masculino quanto para o feminino, os chamados substantivos comuns de dois gêneros, tais como: o artista - a artista; o jovem - a jovem; o estudante - a estudante.

O fato é que eu acho a expressão HORROROSA! Imagine se aplicamos isso às demais: estudanta, generala, artisto... Terrível!

Imagine eu, empregada pública, assistindo a uma teleconferência a respeito de mudanças no estatuto da Empresa pública e ouvindo: presidenta, presidenta, presidenta.... O sininho tocava e eu espumava....Não esmurrei ninguém porque o almoço veio na sequência, então pude compensar a dor dos meus ouvidos saboreando pasteizinhos e carne de porco.

E não vejo sentido em  querer ressaltar o fato de que o posto esta sendo ocupado por uma mulher, com o uso de um feminino específico. Mulher, homem, macho, fêmea, transsexual, hermafrotita.... faz diferença? Ainda cremos que um sexo se sobreponha a outro? Tanto sutiã queimado pela igualdade e agimos em favor da “supremacia” feminina! Ouço tanta bobagem a respeito de mulheres, que humanizam a gestão, que são mais isso, que tem mais aquilo! Bobagem!
Mulher e homem podem exercer diversos papéis com mérito ou vergonhosamente. A espécie é Humana e a essência é a mesma independente do sexo ou orientação sexual!

Por outro lado não podemos mais cair nas falácias de que eleger uma mulher pode ser melhor pelo simples fato de ser mulher. Mais do que nunca é preciso ter em mente que PRESIDENTE não é salvador da pátria, seja ele homem ou mulher.

Portanto meus caros...  PRESIDENTA, o cacete!

Cara de tacho Mastercard

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Eu ando meio capenga. Capenga ainda é um modo sutil e velado de dizer que tô veia. É isso e resolvi consultar um geriatra cardiologista.
Ha alguns dias fiz um exame chaaaaato interessante, perfeito para pessoas estressadíssimas Zen como eu e hoje fui fazer exames laboratoriais. Posso dizer que em matéria de situações constrangedoras, eu não consigo imaginar nada inédito. Ja passei por tudo!
Eu esqueci que tinha de fazer pipi no copinho (na verdade só lembrei que eu SABIA que tinha exame de copinho, por que o namorado tinha me avisado ha uns dias atras, mas o alemão que anda me assediando, fez eu esquecer completamente). Como a moça da recepção disse que se eu já houvesse feito a primeira urina da manhã, era só esperar 4 horas, fazer higiene, fazer pipi, não coletar o pipi, continuar o pipi, coletar o pipi e levar em no máximo 1h ao laboratório, achei que valia a pena colher de uma vez lá mesmo. Afinal faltavam uns 20 min pras 4 horas.
Dai que me chamaram pra fazer a coleta e fui atendida por um sujeito (pra tirar o sangue foi uma mulher, pro mico tinha que ser homem) que me levou até o banheiro (eu fiquei imaginando uma cena estranhíssima: eu fazendo pipi no banheiro com um sujeito do lado de fora esperando eu sair com cara de tacho, óbvio, e um tubo de pipi na mão).
Rá! Minha imaginação se mostrou muito pouco criativa, a realidade é beeem mais vergonhosa: o sujeito me mandou esperar no banheiro enquanto ia pegar lenços umedecidos (Oh my God, eu sabia que iria virar bebe mas pensei que fosse beeeeem mais tarde!). Voltou com um pacotinho e uma bandeja de alumínio e se enfiou dentro do banheiro comigo!!!
No banheiro minúsculo com a porta aberta pra o corredor que leva ao balcão do desjejum, ele me esplicou que eu tinha que lavar a mão, passar o lencinho no bumbum de frente pra tras, fazer o pipi no copinho e derramar no tubo de ensaio e depois tocar a campanhia e deixar tocada. Mico total? Not!
Eu fiz todas as coisas que o sujeito me mandou  e toquei a campanhia, e fiquei la na porta do banheiro com o tubinho de xixi na mão e nada de ninguem vir buscar (mas em frente tinha uma sala de enfermagem com um vidro na porta e dois sujeitos fofocando la dentro e me vendo com cara de tacho na porta do banheiro! Atender ou pedir a alguem pra atender, não era prioridade de nenhum deles).
Enquanto esperava dei uma espiada no corredor pra identificar onde que a campanhia acendia mas não vi e fiquei muito tentada a entrar no banheiro masculino pra ligar a campanhia de lá tambem. So pra garantir que eu não ficaria ali no meio de um corredor movimentado com um tubo de urina na mão.  Entao passou no corredor uma mulher que tinha cara de autoridade e me perguntou se já tinha feito a colheta e se tinha tocado a campanhia. Como eu disse sim pra tudo, ela enfiou a cabeça na sala dos fofoqueiros e chamou alguem pra vir receber meu xixi/ki-suco de laranja.
La vem um outro sujeito sorridente que se enfia de novo no banheiro comigo pra recolher a bandeja e o xixikisuco. Será que um xixi merece tanta atenção? Ta bom que é um xixi laranja, fashion, mas ainda prefiro fazer essas coisas discretamente. Eu suspeito que andei com cara de medo pra tirar sangue (a moça me perguntou, você está bem?), será que precisavam me deixar constrangida tambem? Acho que sim. Valéria atrapalhada não tem preço.

Eu e Minhas Estranhezas

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011



Eu sei que sou estranha! Embora muitos possam me achar comunzeba, mas eu sei muito bem como eu sou “do contra” pra muita coisa.
E outro dia andei lendo umas coisas que me fez ter certeza de que sou um alienígena.

É que pra muitas mulheres ser mãe é um sonho, e quando são mães o sonho vira nirvana. Pra mim não foi. Nunca sonhei em ter filhos, e quando tive foi de tanto medo de engravidar que só tinha confiança nos métodos da minha mãe. Deu errado, mas tudo bem não teria meu filho se eu seguisse os métodos ortodoxos.

Ai nascem os bebezinhos e todo mundo se derrete..... e a mulherada começa a trocar confidencias:
- Aproveita que é a melhor fase! Pro bebe obvio, porque ele só tem que berrar pra alguem satisfazer seus desejos e dormir, berrar, dormir, dormir, berrar, berrar, berrar....

- Ai que saudades dos meus 15 filhos bebezinhos..... Nunca tive saudades de nenhuma fase do meu filho, especialmente até 1ano

- Porque eles crescem? Você vai ver quando começar a andar, adeus sossego! Não. Adeus sossego foi até andar!

Eu não gosto de recém nascido. Nunca gostei. Não acho eles lindos (joelho é bonito, é?), não acho eles fofos e muito menos engraçadinhos. Depois que tomam jeito de boneca, ficam mais simpáticos mas pacotinho não me agrada. Ah! E eles não gostam de mim também. É só eu chegar perto que eles abrem o berreiro e eu calejada, traumatizada e que não sou obrigada mais a aturar (até meus netos, que só vão chegar depois dos 95 anos) sai correndo!

Daí que a licença maternidade + férias + férias prêmio me deram muito tempo pra ser babá mãe e saber que eu nasci pra trabalhar não pra ser baba mãe, portanto jamais passou pela minha cabecinha ruiva chutar tudo e ficar só em casa cuidando do meu repolhinho. Cruzes! Acho que matava o menino, coitado, ou era internada no manicômio judiciário. O que ocorresse primeiro

Por outro lado, hoje penso que deveria haver uma licença adolescente. Para as mães de filhos adolescentes. Se houvesse eu pensaria algumas vezes, e claro se tivesse alguém disposto a me bancar, ou tropeçasse num saco de dinheiro.....

Pois é, qdo meu filho era bebe, não tive vontade de largar tudo mas agora que meu filho esta grande eu quero! Ah! Porque você não curtiu ele direito e quer recuperar o tempo! Não! Penso que ele tem necessidades muito maiores agora do que antes. Creio que ele é muito mais delicado e complexo do que um bebe. Coisa de doida? Claro! Mas em algum lugar eu devo ser normal....

Sobre viagens e órgãos internos que viram externos

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eu viajo todos os dias. E nessas viagens eu tento ficar sozinha, até porque eu durmo de babar, carrego um milhão de bolsas e o passageiro da frente sempre deita no meu colo. Só se não tiver nenhum conhecido. Porque aí eu viro a "miss simpatia", tiro as bolsas todas da cadeira do lado, não me importo de ficar espremida, de não dormir,  nada disso.

Em alguns horários ser antissocial (é assim que escreve???) é permitido e meio que regra todo mundo quer roncar ficar sozinho. Mas em outros é impossível. Daí que ontem foi um dia da impossibilidade e eu que resisti bravamente à solidão, vi um cidadão se aproximar do meu banco vazio.NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOO!

A torcida mental não resolveu e o moço se dirigiu pro meu lado. Quando ele se vira pra sentar ao meu lado, vejo que ele tem uma bolsa daquelas que substituem o aparelho excretor (a pessoa faz xixi e coco na bolsinha). Eu em pânico.

Nossa! Que fresca, nojenta, preconceituosa! É só uma alternativa pra problemas sérios de saúde. Eu sei disso, mas tente imaginar uma situação em que alguém, qualquer pessoa, pudesse por qualquer motivo, viver com um de seus órgãos fora do corpo. Imaginou?Sentiu? Agora piore 3 X. Imagine esse mesmo órgão pindurado na cintura de alguém absolutamente desconhecido!

É... porque de pessoas intimas, que a gente ama, tudo fica mais fácil e nem pensamos muito nisso. Pois bem, a pessoa tem uma bexiga fake. Deu pra perceber que eu não sou chata dicunforça demais? Entao eis que o moço em questão senta do meu lado. Eu em pânico duplo! Ele senta, eu de olho na “bolsinha”, se ajeita na poltrona, ajeita a bolsinha..... na minha perna! O que fazer? Não tinha outro lugar, também não dava pra virar pro sujeito e pedir: - Moço, será que dava pra tirar sua bexiga fake-sintética-de prááástico, porque minha perna está constrangida? Não dava, Né? Se tem uma coisa que eu acho íntima, mas íntima mesmo é a questão de necessidades fisiológicas (nem tão bonito, quanto a expressão). Pra mim essa bolsinha excretora é o ápice da perda de dignidade. Sério, se alguém precisar disso pra sempre (depois descobri não ser o caso do meu companheiro de viagem) é preferível a morte. Me desculpem a “ignorância”, mas penso assim. Dignidade começa pela discrição de suas necessidades.

Bem, mas o meu companheiro de cadeirinha não era tão radical e começou a conversar naturalmente comigo:

- Eu fiquei sete meses e tantos dias internados e acabei de sair do hospital
Eu simpática:

- Mas o senhor está bem pra viajar de ônibus...

O moço MAIS, MUITO MAIS simpático:

- Esta tudo bem, ó! (levanta a camisa e mostra os tubos, borrachas e bexiga sintética que estava até então, parcialmente coberta pela camisa)

EU COMPLETAMENTE EM PÂNICO!!

Tambem descobri posteriormente, que acabar pra ele, não significa a mesma coisa que pra mim. Tipo: Hospital-rodoviária-banco do ônibus ao meu lado. Era mais assim: Hospital-rodoviária-banco do ônibus ao lado de outra pessoa-casa do sujeito-casa do ex sogro-rodoviária-assaltos-hospital pra assinar papéis- rodoviária-banco do ônibus ao meu lado. Daí eu decidi conversar com o cidadão tentando ignorar o órgão na minha perna (Nâo aquele! Outro, menos inspirador....) E eu olhava pro lado da bexiga fake(imaginei que era bexiga porque SÓ vi uma espuminha), me espremia na parede do ônibus e tentava manter cara de paisagem.

Conversa vai, conversa vem (imaginem se o dito cujo, não perguntou meu estado civil?????) eu virei pra janela e tentei desv iar a mente da bexiga sintética. Mas pra minha felicidade, Deus me deu uma mente obssessiva pra pensar tudo o que não prec Isa, na hora mais inconveniente e na obssessão mais inconveniente. Claro, que era pra ele rir horrores de mim. Então eu virei pro lado pra pensar no livro que eu precisava de ler, na chuva que caia e que eu adoro (desde quando???), na sombrinha que deixei no trabalho e na bexiga ENCHENDO!!!!

Fala sério! Eu precisava de pensar nisso?! Na situação que me encontrava? Claro que sim! Porque eu consegui esquecer que estava chovendo, e que eu precisava descer sem sombrinha no supermercado, que o material de limpeza da minha casa tinha acabado e só conseguia pensar: será que na viagem a bexiga sintética encheu?

E como sou obssessiva pra cacete, e não sossego enquanto não resolver as questões inúteis, toda hora olhava mas estava escuro, não dava pra ver. Aí desfarçadamente liguei o celular pra dar uma iluminada básica, nada! Até que já com úlcera de ansiedade, provocada pela indecisão entre entrar no supermercado com chuva, ficar mais um tempo imaginando a bexiga do sujeito, enxergar a tampinha da bexiga aberta, resolvi descer.

Tive de acordar o cidadão e eis que ao acender das luzes....... A famigerada “bexiga” estava parcialmente cheia! Graças a Deus (que ele tenha se molhado de tanto rir) tomei a decisão de deixar a bexiguinha confortavelmente no banco lateral.

Uffa!!! Que os recém –operados sejam mais cuidadosos com seus intestinos e bexigas. As coxas alheias podem não ser tão controladas....

PS. Por razões óbvias não ha imagens ...