Eu acreditei e desejei o amor desde que me entendi por gente. O amor romântico, aquele que a gente escolhe. Para mim era o que havia de mais lindo nesse mundo.
Mas se este amor era lindo, por si era frustrante e eu vivia em busca do amor. Clamava aos "deuses" que me ajudasse, criava marcos para encontrar o amor. E na busca incansável encontrei pouco amor verdadeiro e muita decepção, muita mágoa.....
No fundo do meu coração eu não queria acreditar que não houvesse o que ansiava por encontrar.E muitos diziam-me que o que buscava era paixão. Verdade muitas vezes cheguei a dizer que o único amor que existia era a paixão.
O tempo passava e a necessidade de amar tornou o coração sensível pouco exigente e um tanto dado a se doar por qualquer batida descompassada. A juventude e a sede de amar fizeram com que se deixasse levar por emoções traiçoeiras. pareciam ser..... mas não eram.
Mas a vida costuma conceder nossos desejos de uma forma bastante inusitada. O amor viria, mas não da forma que sonhei. O amor viria para desestruturar todas minhas crenças, expectativas, planos. Mudou tudo! Até mesmo o amor que eu achava que sentia. Eu que jamais sonhei que isso aconteceria, descobri que estava grávida!
No meio da tormenta de não saber o que fazer, como fazer e das pressões absurdas (aborto era a alternativa mais doce!) para "resolver" o problema eu jamais me dei conta do que estava por vir. Nesse momento era uma dificuldade tamanha mas a sementinha do amor já estava ali. Eu podia concordar com o casamento com um colega homossexual e me expor a um estupro, mas aborto jamais! Do filho que eu não desejei, eu não abria mão.
O tempo passou e meu filho nasceu. Eu não me sentia a mãe amorosa, apenas a mãe responsavel. Mas tambem como poderia? A depressão me envolveu pela primeira vez e em meio a muito choro de bebê, pouco sono e muitos conflitos e não tinha vontade de viver. Nem por ele, pois morria de pena do que ele teria de passar ainda nessa vida.
E os desamores, as desilusões estavam cada dia mais intensas. Ou era eu que estava cada dia mais frágil? E foi no meio desse turbilhão de emoções que eu tive o insigth que me faria entender o que sentia. Foi percebendo que por mais que um filho me causasse dificuldades, eu jamais o trocaria!
Não é mais como um relacionamento ruim, não é como estar com um cara que não te dá o que você precisa e você se livra dessa relação doentia! Filho você ama do jeito que ele é! Com o amor que ele pode retribuir ou não!
Não sei quando eu passei de mãe responsável para mãe apaixonada, mas a paixão só aumentou a cada dia. São quatorze anos de amor, de doçura, de vontade de morrer feliz para proporcionar felicidade. Em nenhum minuto da minha vida eu consigo imaginar minha vida sem meu filho e todos os dias da minha vida eu me pergunto se eu poderia amar alguém com a mesma intensidade. Sempre viajo que se tivesse outro filho não seria capaz de amar da mesma forma. Amar mais é impossível, amar igual é inacreditável.
Meu coração transborda de amor. Amor que se traduz em orgulho, amor que sangra meu peito todas as vezes que o vejo sofrer, amor que dá vontade de ficar agarrada para todo o sempre, amor que quer o mundo, amor que vira amigo, que vira enfermeira, que vira chef, que vira rabugenta e cria dezenas de gatos.Amor que jamais mentiu, que se enche de culpa, que se assume fraca e incapaz.
Ha amor em mim. Tanto amor que o coração falha batidas, amor que enleva e enlouquece, amor que preenche o meu peito, amor que dá sentido a minha vida tão louca....

