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Sobre a Impossível Arte de Se Colocar na Pele dos Outros

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eu não sei porque nós pensamos ter poderes para julgar nossos pares.

Eu não sei porque seres humanos normais, comuns, desprovidos de asas e auras brilhantes se arvoram em juízes sentenciando o que é lícito ou não pra mim! Como fazer se você não é onisciente? Será mesmo que Deus, o é?

Não consigo compreender como julgamentos pautados no que eu vejo, no que eu gosto, no que eu acredito, no que eu desejo, possam servir para o que o outro vê, o que o outro gosta, o que o outro acredita, o que o outro deseja.

Por qual razão o ser humano insiste em brincar de Deus? Por que eu quero fazer você crer que é egoísta, quando o egoísmo faz parte da espécie humana? De onde sai a crença de que posso acusar você de egoísta, de tolo ou manipulador quando ninguem me deu a verdade? Quando eu não posso avaliar todas as faces de seus sentimentos. Quando eu não sei o que motivou suas ações? Então por que será?

É a máscara que vestimos para disfarçar nossas próprias torpezas, para fingir pra si próprio que estou acima das suas, e me arvorar de seu juiz. Decidir o que é bom ou certo a fazer. Certo pra quem? Pra mim? Ou pra você? O que é certo pra mim num momento ou outro, depende de mim! De minhas necessidades e acima de tudo das possibilidades que você desconhece.

O que te faz crer que meu coração só sangra quando o Papa morre, ou o homem vai à lua? Quem lhe conferiu  competência para julgar que se sofro pela minha unha quebrada, sou frágil, fraca, fútil.... Quem lhe deu tal poder? O que você sabe sobre meus dedos? Quem define minhas prioridades?

Quem me vê, por muitas vezes enxerga através do seus sonhos insensatos. Sou feliz porque sou nova, sou feliz porque já não sou tão nova, porque tenho marido, porque não tenho marido, porque sou magra, porque sou gorda, porque tenho olhos verdes, ou azuis, ou porque não tenho olhos. Mas quem é você pra sentir como eu me sinto?
Gostou da minha vida? Então venha vivê-la! Está aberta a temporada de troca de almas!

PRESIDENTA, O CACETE!

segunda-feira, 20 de junho de 2011


Eu não sou boazinha e minha cara de pamonha tranquila é pura fachada. No fundo sou um vulcão, bem nervosinha, um “Saraiva”de saias.

E algumas bobagens me irritam tanto que me sinto como os cachorros de Pavlov. Toda vez que toca um sininho eu salivo, de raiva! Um dos sininhos que andam me fazendo espumar é essa bobagem da PRESIDENTE Dilma, se intitular presidenta!

Ha algumas controvérsias sobre o uso desse feminino. Alguns autores reconhecem a flexão, outros  afirmam  que existe uma forma comum, tanto para o gênero masculino quanto para o feminino, os chamados substantivos comuns de dois gêneros, tais como: o artista - a artista; o jovem - a jovem; o estudante - a estudante.

O fato é que eu acho a expressão HORROROSA! Imagine se aplicamos isso às demais: estudanta, generala, artisto... Terrível!

Imagine eu, empregada pública, assistindo a uma teleconferência a respeito de mudanças no estatuto da Empresa pública e ouvindo: presidenta, presidenta, presidenta.... O sininho tocava e eu espumava....Não esmurrei ninguém porque o almoço veio na sequência, então pude compensar a dor dos meus ouvidos saboreando pasteizinhos e carne de porco.

E não vejo sentido em  querer ressaltar o fato de que o posto esta sendo ocupado por uma mulher, com o uso de um feminino específico. Mulher, homem, macho, fêmea, transsexual, hermafrotita.... faz diferença? Ainda cremos que um sexo se sobreponha a outro? Tanto sutiã queimado pela igualdade e agimos em favor da “supremacia” feminina! Ouço tanta bobagem a respeito de mulheres, que humanizam a gestão, que são mais isso, que tem mais aquilo! Bobagem!
Mulher e homem podem exercer diversos papéis com mérito ou vergonhosamente. A espécie é Humana e a essência é a mesma independente do sexo ou orientação sexual!

Por outro lado não podemos mais cair nas falácias de que eleger uma mulher pode ser melhor pelo simples fato de ser mulher. Mais do que nunca é preciso ter em mente que PRESIDENTE não é salvador da pátria, seja ele homem ou mulher.

Portanto meus caros...  PRESIDENTA, o cacete!

Urgência ou Emergência, Será Mesmo?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sábado eu pude experimentar os serviços de “emergência” disponíveis à sociedade. No meu caso, tive PESSIMA impressão. Pelo menos quanto o atendimento primário, que é o telefônico.
Sabem aquelas histórias bonitinhas do 911, que o atendente rastreia o endereço da ligação quando a pessoa não consegue falar e manda uma ambulância assim mesmo? Rá! Espera deitado isso acontecer no Brasil!

Pois bem, no sábado sofri um acidente de carro. O acidente foi feio, mas feio mesmo! Só que como Deus existe e não era hora de ninguém passar pra o outro lado, não houve conseqüências mais graves.


Então vamos às primeiras providências: ligar para a polícia. Só fazem a ocorrência caso haja vítimas (e por vítimas eu entendo ferimentos graves ou morte, já que o serviço é de emergência/urgência) ou os veículos não possam ser retirados do local. Daí que a polícia não veio, mas a ocorrência teria de ser feita. Para fins de seguro e para se resguardar de problemas futuros. Eu sou escolada nisso e não confio mais nem na minha mãe. Faço BO pra tudo!.
Daí que enquanto esperávamos o marido da minha amiga chegar, o dono do outro carro ligar para a seguradora e tudo mais, minha amiga (que era a motorista) começou a sentir um ardor muito grande nos braços, do cotovelo ao pulso.


Decidimos ligar para o SAMU. Alguem me diz que o numero era 193. Eu liguei e caiu na polícia. Expliquei a situação e o moço sem paciência comigo vem me falar de carros. Eu que disquei 193 fiquei sem entender pq a preocupação com carros quando o caso era de alguem sentindo efeitos da batida! Descobri que atendimento médico é 192. Novamente DISQUEI 192 e NOVAMENTE caiu na polícia e se o moço que antes estava sem paciência estressou de vez, e eu que já sou Saraiva na altura do campeonato botei minhas garras de fora. Mas isso foi passável o SAMU foi o fim da picada!


Como não conseguia ligar do meu celular, e pra não passar de novo pelo Soldado Vinicius, liguei para a emergência de outro celular e após seis ou sete toques alguém atende. Eu não trabalho com situações críticas. Ninguém vai morrer se esperar alguns minutos pra ser atendido, mas temos um padrão de atendimento telefônico, em que a ligação deve ser atendida ATÉ o TERCEIRO toque, mas isso não vale pra atendimentos rápidos em que frações de segundo podem determinar a vida ou morte de alguem. Parece que na Emergência o padrão de atendimento é até o décimo ou vigésimo toque, ou quando der na cabeça do atendente.
Depois de me irritar com a demora no atendimento à chamada, explico a situação e o cara do outro lado sai com essa:


- Esse acidente aconteceu a uma meia hora, porque você esta ligando só agora.
Como achei que era só uma pergunta retórica (atrevida e desnecessária, mas só retórica) não respondi. Mas o cara insistiu em perguntar!

Eu estava trovejando de raiva e respondi malcriadamente mesmo, que tinha ligado primeiro pra polícia, e que a cada vez que ligava para emergência médica caia de novo na polícia!

Será que socorrer alguem não é prioridade sobre questionar o motivo porque eu liguei ou deixei de ligar? Creio que o papel dele não é esse, é tomar as providências para prestar o socorro, ou estou enganada? Eu não sou médica nem socorrista então não tenho obrigação de saber se a pessoa precisa de atendimento médico até que ela reclame alguma dor ou desconforto. Ou a gente tem que chamar para qualquer acidente? Será que é assim? Alem do mais, pelo pouco que sei a adrenalina é responsável por dar "superpoderes" ao corpo em situações de risco, e nisso se inclui força, agilidade, e resistencia à dor. Mas quando volta aos níveis normais, o machucado que vc nem viu aparece, o osso trincado dá sinal de vida, e o passo que você dava não consegue dar mais. E o famoso “sangue quente”.

De má vontade, dava pra sentir na voz, me passou para o médico que foi solícito e educado e eu posso ser neurótica e perder a linha mas também sou educada quando a pessoa não tem culpa. Como o médico agiu como gente, eu fui a própria lady.

Final da noite fomos fazer o BO num posto policial no centro da cidade, seguindo a recomendação do Vinícius (Soldado, Sargento, Recruta ....) e chegando lá qual foi a pergunta do Sargento?


- Por que vocês estão fazendo a ocorrência só agora?


Eu fiquei sem fala. Até a respiração parou. Puxa vida, se a polícia não se desloca ao local, em acidentes de trânsito sem complicações, qual o impedimento de ser feito uma hora, duas ou vinte e quatro horas depois? Alias foi uma das perguntas que fiz, quando liguei a primeira vez para o 190. Qual o prazo para se fazer a ocorrência? Não tive resposta.
Após um longo tempo aguardando que a ocorrência fosse registrada, mil perguntas sendo feitas repetidamente descobrimos que:



1.A ocorrência poderia ser feita no local, uma vez que houve vítima não fatal. O atendimento do SAMU caracterizou existência de vítima



2. A ocorrência deveria ter sido feita no local, visto que houve dano ao patrimônio (o carro em que batemos rodou e bateu em uma loja. Amassou a placa de pare e quebrou cerca de 15 centímetros do umbral da porta)


Por que não tive essa orientação? Será que o cidadão tem de saber sobre os procedimentos policiais? Não seria inclusive mais correto a presença da polícia no local, independente de existência de vítimas ou não? Preveniria que pessoas de má fé fizessem uma ocorrencia posterior alegando o que quisesse, como já aconteceu comigo!


O que sei é que após o choque, ter de enfrentar horas de espera, atendimentos insatisfatórios e outras questões é muito desgastante e os serviços públicos definitivamente deixam a desejar. Demonstram despreparo para lidar com pessoas nervosas, doloridas, assustadas e consequentemente com o raciocínio comprometido.


Devo esclarecer que a ambulância chegou mais rápido do que esperava e os socorristas foram atenciosos, tendo inclusive medido minha pressão mesmo eu alegando que não tinha ferimentos ou dores. Mesmo assim o primeiro contato capengou e muito. Para um atendimento emergencial, foi PESSIMO!



DEUS VOMITARÁ OS MORNOS: “PORQUE NÃO ÉS QUENTE NEM FRIO, VOMITAR-TE-EI DA MINHA BOCA” *

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


Tenho que confessar que não gosto de coisas mornas. Mornas, sem emoção, sem vida, que não são nem uma coisa nem outra....


Sou uma pessoa dos extremos: tudo de que eu gosto, eu gosto muito e se não gosto, não consigo “engolir”. Pessoas inclusive. Meus medos são pavores, meus desejos são compulsões e meus amores são paixões.

Não sou de ter raiva de verdade, mas quando tenho.... é pra sempre! Magoas pequeninhas duram segundos, mas se pegar pesado duram o tempo que dura a morte, porque eu mato a pessoa na minha mente e no meu coração.Se eu ignoro alguém, não consigo nem enxergá-la. É sério! Já teve gente que reclamou que eu não cumprimentava ou não respondia ao cumprimento, mas era porque eu nem percebia a presença da pessoa.... Sabe um poste na rua? Você presta atenção quando passa por ele?

Eu sou assim, estranha assim e não me acostumo com a monotonia, com o conformismo. Pra mim a vida morna, é a vida ruim pela qual você se deixou levar, se acostumou.

E Deus vomitará os mornos.....

Eu não quero ser morna, e não quero uma vida sem cor. Sem tempero, sem temperatura. E sei que de alguma forma estou deixando tudo amornar, tudo indefinido a minha volta. Nada é bom nem ruim, tudo é sem gosto. Sem coragem, sem iniciativa, sem paixão, sem tesão....
Ta faltando muita coisa, tem muita coisa de cabeça pra baixo e eu não sei consertar. Ou não quero consertar por preguiça, por mornidão.......
O que faço pra combater esta apatia, esta letargia e vomitar os mornos? O que fazer pra deixar de ser morna, antes que eu me torne morta?


E Deus vomitará os mornos



* Apocalipse 3:15, 16